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domingo, 11 de abril de 2010

Os Dragões

O ruído forte de aviões voando mais baixo que o normal deixou todo mundo assustado. Estavam acostumados com bombardeiros, aviões de reconhecimento e outros veículos aéreos mais ou menos ameaçadores, mas a altitude era uma novidade. Todos temeram que as bombas começassem a desabar naquele momento, como uma chuva maldita.
A menina que brincava com as nuvens percebeu o quanto o céu pode se tornar ameaçador de uma hora para outra, como aquela benção de Deus pode virar repentinamente uma maldição dos homens.
Ela não conhecia os aviões, mas sua mãe a ensinou que deveria fugir deles assim que ouvisse seus motores. Ela falou que eram dragões demoníacos que cuspiam fogo em quem encontrava pelo caminho.
A imagem fantasiosa possuía a didática suficiente para que a menina corresse cada vez que os ouvisse. Nunca os vira cuspindo fogo, mas imaginava como fosse e embora sua visão fosse menos terrível que a realidade, era o suficiente para teme-los e correr deles.
Mas daquela vez os aviões voaram mais baixos e a menina entrou em pânico.
Temeu que os monstros alados de sua imaginação lhe seqüestrassem como em seus sonhos e a levassem para bem longe de sua família. Sabia que aquele era o momento de fugir mas suas pernas fraquejaram e ela acabou caindo no chão, incapaz de se mexer.
- O Dragão vai me comer. Era tudo o que conseguia gritar, como se alguém pudesse parar para ajuda-la naquele momento.
De repente o dia que começara como um sonho estava se transformando no maior pesadelo que aquela menina já teve e o pior era que não podia acordar e esquecer tudo.
Durante cinco minutos chorou e gritou, impotente no chão, com os olhos fechados como se o fato de não ver os aviões pudesse afasta-los
Felizmente o ataque não começou daquela vez. Era apenas um aviso do inimigo, para que ninguém fosse pego de surpresa. Como se estivessem marcando a hora para matar a todos, já que ninguém ali poderia fazer nada para se defender se fosse atacado.
A menina continuou sentada no chão até quando os aviões foram embora.
Conseguiu levantar-se sozinha e embora ainda soluçasse muito e nem enxergasse direito por causa das lágrimas, conseguiu dirigir-se pra casa.
Ela sabia que tinha que chegar o quanto antes, senão seria devorada pelos dragões.
E eles estavam prontos para voltar ainda naquele dia.

domingo, 25 de outubro de 2009

Não Estamos Em Guerra

Não estamos em guerra.
Apesar das armas que circulam nas ruas.
Das sangrentas batalhas nas ruas
E dos disparos chegando no céu.

Não estamos em guerra.
Apesar das mães desesperadas.
Dos ferimentos letais
E dos órfãos atônitos
Buscando em vão uma reposta.

Estamos em paz, tudo sob controle.
Apesar de ninguém saber para onde olhar.
A quem pedir socorro.
Quão forte se deve gritar
Quando as balas começam a voar?

Sim, estamos em país.
Somos um país seguro.
Não importa o número de corpos.
E o sangue que banha nossas ruas.