Palhaços sem graça nas ruas.
Piadas ruins se repetem.
E Há quem aplauda de pé.
Enquanto eles se divertem.
Palhaços se revezam no palco.
Em frente de uma plateia inerte.
Que pagam com o preço da fé
O quadro sujo que eles subvertem.
Palhaços de caras limpas chegaram.
Fazendo macabros esquetes.
Pintando um quadro fantástico.
Mostram o que sempre mostraram.
Diante da plateia que se esquece
Do perverso que é o espetáculo.
Jadson Buarque
Poemas, contos e outras coisas que tenho a dizer
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Em Volta
Olhou em volta.
Procurava algo perdido.
Algo que destruiu com as próprias mãos.
Algo que não voltará.
Olhou em volta.
Em rostos conhecidos.
Mas tudo estava estranho
Agora que sua luz era uma réstia.
Procurou por todos os lados.
Mas era tarde.
Não se pode retornar
Ao ponto antes dos farelos.
Procurava algo perdido.
Algo que destruiu com as próprias mãos.
Algo que não voltará.
Olhou em volta.
Em rostos conhecidos.
Mas tudo estava estranho
Agora que sua luz era uma réstia.
Procurou por todos os lados.
Mas era tarde.
Não se pode retornar
Ao ponto antes dos farelos.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Guarde um Sorriso
Guarde um sorriso.
Para as horas sem graça
Para quando perder a piada.
E todos estiverem rindo
De uma tristeza disfarçada.
Guarde um sorriso.
Um último disfarce.
Para quando estiveres nu.
E todos te apontarem o dedo.
Guarde um sorriso.
Porque é o que podes conservar.
Quando tudo escapar entre os dedos
E tiveres que ocultar as lágrimas
Para as horas sem graça
Para quando perder a piada.
E todos estiverem rindo
De uma tristeza disfarçada.
Guarde um sorriso.
Um último disfarce.
Para quando estiveres nu.
E todos te apontarem o dedo.
Guarde um sorriso.
Porque é o que podes conservar.
Quando tudo escapar entre os dedos
E tiveres que ocultar as lágrimas
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Tu Me Calas
Tu me calas.
Porque não há palavras
Que contenham o amor
E se digo que te amo.
Não te digo nessa frase.
Tudo que deveria dizer.
Tu me calas.
Mas se as palavras se vão.
Aceita este beijo.
Que me cala a boca.
Mas que muito te fala.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Resgate na Caatinga
I
Estava a oitenta quilômetros por hora numa estrada de barro. Apesar de não ser a maior velocidade que havia corrido em um veículo, era a primeira vez que fazia aquilo fora de uma estrada alta, e num veículo que tocava o chão. Incomodava o fato de estar em um veículo de combustão e com pneus. Se não fosse um policial em uma missão oficial, estaria violando pelo menos duas leis.
A missão oficial em questão era o que ele considerava perda de tempo e recursos do estado: recuperar um andróide. Não entendia porque gastar quase o mesmo valor de uma máquina daquelas, apenas para recuperar uma perdida. Por ele registrava a perda como furto, e o proprietário que recorresse ao seguro. Mas desde que a última lei aprovada pela ONU elegeu aqueles modelos como uma quase-vida, o caso tinha que ser tratado como seqüestro.
Para piorar o quadro, a busca tinha que ser feita em plena caatinga, no quase deserto sertão nordestino.
Desde que as torres energéticas tinham sido instaladas, tornando a região mais rica do que muitos países europeus, as pessoas tinham deixado os sítios e fazendas para se concentrarem nas cidades. Em conseqüência disso, a natureza tomou de volta o seu lugar e muitas das pequenas cidades viraram florestas protegidas.
Agora Cristiano estava em uma trilha que se perdia na floresta e rezando para que aquela camioneta 2015 não quebrasse ali, não haveria ninguém para consertar.
- Você vai ter que descer do carro e entrar na mata a pé. Falou a voz no rádio. – Lembre-se de desligar a chave e fechar os vidros. Puxe a trava de mão e leve a chave com você. Não se esqueça...
- Eu li o manual, Antônio. Só acho uma perda de tempo o que estou fazendo.
Parou o carro próximo as ruínas de uma parede de que tinha sido uma capela. Ainda podia ler as palavras Paróquia de São Francisco, pelo menos era isso que ele pensava que estava escrito, mas era difícil saber, afinal aquilo tinha sido escrito umas quatro ou cinco reforma gramatical atrás.
Entrou na mata no que imaginou ser uma picada. Viu algumas pegadas que pareciam humanas e outras que ele não conhecia. Consultou mais uma vez o cubo vermelho, que continuava indicando que ele estava no lugar certo.
- Espero não encontrar nenhum touro selvagem. Pensou enquanto enfrentava os cactos e outras plantas espinhentas. Seria bom acabar aquilo antes que o uniforme se desfizesse com os arranhões.
Felizmente não precisou andar muito. Logo à frente havia um juazeiro cercados pelo que sobrou de bancos de cimento. Em cima de um dos bancos duas pessoas transavam sem se preocupar com a cobra que estava por perto e mungido do que deveria ser uma vaca. Ele havia encontrado o avo.
II
Cristiano ficou alguns minutos vendo o casal se divertindo. Se não estivesse no meio da caatinga e ele não tivesse que recuperar o andróide, sairia dali rapidinho. Não tinha a mania de observar certas coisas.
Infelizmente seu cubo vermelho indicava que aquele era mesmo o andróide tido como seqüestrado, graças aos novos padrões para tipificar crimes. O cubo estava errado ao indicar que se tratava de um homem branco, entre trinta e quarenta anos e pesando uns cem quilos. O maldito computador havia falhado mais uma vez em traçar um perfil psicológico. Ele iria desabilitar aquela função assim que abasse com aquilo.
- Pare com isso, senhora, Você está presa por seqüestrar essa peça.
Os dois se levantaram nus e assustados e Cristiano odiou como a nova série de quase-vivos (assim eles eram chamados agora) imitava os seres humanos nas mínimas imperfeições.
- Vistam-se venham comigo. Ele será levado de volta para o dono.
- Não iremos com você. Falou o andróide. A mulher estava assustada demais para falar.
-Não existe outra opção.
- Nós nos amamos. Você quer nos prender porque acha que ele me roubou e que eu sou uma máquina que sem direito a escolhas. Mas não sou. Eu posso amar e odiar. Sou quase um ser humano. Tenho direito a escolhas.
Cristiano achava aquilo tudo ridículo. Mas estava farto de correr atrás de andróides extraviados. Ser enviado para a caatinga era a primeira vez, mas aquela era a chance de fazer com que aquilo não se repetisse.
- Afastem-se daqui. Vocês não devem ser encontrados nos próximos dias.
- Não voltaremos à cidade. Garantiu o andróide.
- Melhor pra você.
O caminho de volta foi tão difícil quanto a ida. Cristiano lamentava ter deixado o andróide inteiro, mas com corte ele seria destruído por um touro selvagem ou seus circuitos derreteriam no calor do sertão. Lamentava pela mulher ter que sofrer um destino igual, mas ela tinha feito sua escolha.
Entrou no carro e deu partida, seguindo exatamente o que dizia o manual. Com um pouco de sorte aquela seria a última vez que andava em um carro com motor a explosão e dirigia em uma estrada antiga.
Agora era chegar em casa, dormir e rezar para não ser chamado nos próximos três dias.
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No Mar de Pajuçara
Mergulhar no mar de Pajuçara. Houve um tempo que isso não era um crime. Duzentos anos atrás esse era um prazer comum, mas isso foi antes do grande maremoto e das águas dos oceanos não estarem contaminadas com o expurgo das antigas usinas nucleares.
Cristiano nasceu trinta anos depois do acidente e nunca tinha visto ninguém tomar banho no mar. Em cidades costeiras, como Maceió, construíram grandes piscinas que limpava uma parte da água do mar e permitia que as pessoas se divertissem naquele pequeno espaço.
Ele não devia estar ali. Deveria estar caçando andróides extraviados, ou impedindo que outras pessoas fizessem o que ele estava fazendo. Mas isso não importava, não no seu aniversário.
Sabia que estava sujeito há câncer por estar tomando banho ali, mas achava que havia vivido o suficiente, pelo menos era assim que pensava nos últimos trinta anos. Cento e setenta anos vivendo do coquetel fornecido gentilmente pelo governo eram o bastante.
Eles controlaram a doença e a velhice, mas a morte não foi vencida como esperava, não havia imortais. Por isso as pessoas continuavam perdendo quem amavam e com o tempo muitos ficavam sós, sem motivos para continuarem numa existência tão longa.
Em mais um aniversário só, Cristiano gostaria de tomar a decisão que muitos tomavam e que era extremamente proibido. Mas tudo o que conseguia era tomar banho na praia.
Bastaram apenas dez minutos para que dois policiais chegassem até uma distância segura e falassem pelo alto-falante.
- Por favor, senhor. Saia da água. O senhor está correndo risco de morte.
Outra pessoa teria obedecido. A cada ano as pessoas se tornavam mais obedientes. Graças a isso o mesmo governo estava no poder há mais de duzentos anos e não havia ninguém para questioná-lo. Todo mundo só queria viver pra sempre e sem preocupar com muitas coisas.
- Por favor, senhor...
Cristiano apenas os ignorou. A polícia nem usava mais armas, não iriam fazer nada contra ele se o banho continuasse. Ele sabia disso porque foi assim que ele foi treinado, e normalmente o que estava no manual era o bastante.
Os policiais podiam pedir reforços e agir mais energicamente, mas naquele fim de tarde haveria um jogo de futebol e ninguém queria perder a final.
Voltou a ficar sozinho enquanto era observado de longe por cidadãos indignados com aquela atitude. Ninguém deveria desobedecer ao grande governo.
Cristiano gostaria de ser punido de forma letal por aquele crime. Cento e setenta anos eram mais do que ele gostaria de suportar. O mundo apenas ficava mais velho e menor. E ele, sozinho.
A tarde se foi e a água ficou mais fria. Ele saiu do mar, vestiu-se e foi escoltado por dois andróides para a delegacia.
No caminho se desejou um feliz aniversário, e o presente de poder descansar daquela vida.
Talvez o mar tenha trazido a última esperança possível para um lugar onde não acontecia mais nada.
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
PROCURANDO JANELAS
Passos firmes para o quarto.
Decidido abri a porta.
Senti o ar diferente.
Venci o medo e entrei.
Impiedosa a porta se fechou.
Um baque forte atrás de mim.
E uma escuridão doente.
Desesperado eu gritei.
Agora tateio em busca da saída.
Na escuridão não o que ver.
A porta fechou e não vejo uma réstia.
Tropeço no chão, pulo sobre a viga.
Sinto a escuridão me vencer.
Procurar janela é tudo o que me resta.
Decidido abri a porta.
Senti o ar diferente.
Venci o medo e entrei.
Impiedosa a porta se fechou.
Um baque forte atrás de mim.
E uma escuridão doente.
Desesperado eu gritei.
Agora tateio em busca da saída.
Na escuridão não o que ver.
A porta fechou e não vejo uma réstia.
Tropeço no chão, pulo sobre a viga.
Sinto a escuridão me vencer.
Procurar janela é tudo o que me resta.
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