Foi difícil abrir os olhos hoje. Sinto como se meu corpo todo não me obedecesse mais. A dor é a única coisa que faz com que eu sinta meus membros. É uma dor horrível que eu não sei fazer parar.
Mas a dor não é a única coisa que me incomoda aqui. O fedor me provoca ânsia de vômito. Lama, merda, sangue, urina, são tantos os odores que eu não sei identificar todos. O pior é saber que todos eles estão em mim e eu não sei como vieram parar no meu corpo.
Preciso de um banho urgentemente, não só para me limpar da sujeira, mas para me despertar. Sinto que a febre está se apossando de mim novamente e eu preciso me manter acordado, pelo menos para voltar pra casa.
Não faço a mínima idéia de onde estou. Só sei que é uma casa grande e que eu pareço estar em um escritório. Existe um computador passando uma proteção de tela que mostra milhares de fotos e várias fotografias espalhadas. Meu Deus! Também há um copro dilacerado de um garoto. Nem quero imaginar o que aconteceu com ele.
- Olá! Tem alguém por aqui?
Eu não devia ter gritado. Tive como resposta um gemido assustador de alguém que parece estar no cômodo ao lado. O som horrível foi suficiente para eu me trancar no escritório com o garoto morto. O fedor e imagem horrível do corpo em decomposição e coberto por moscas me parece mais agradável do que me encontrar com quem emitiu aquele gemido.
A porta está quebrada e não consegui trancar a fechadura. Mas consegui empurrar a mesa do computador até a porta. Espero que não tenham ouvido o com do monitor se espatifando no chão: não tive paciência para tirar o equipamento da tomada, mas acho que o garoto morto não fará nenhuma objeção a isso.
Agora é só esperar o som diminuir. Não tenho coragem de descobrir o que significa esses gemidos, ou melhor, não tenho coragem de confirmar minhas suspeitas.
Espero me manter vigilante por tempo suficiente, mas não acredito que vá conseguir. Só espero que não arrombem a porta antes de eu me acordar. Detestaria morrer sem saber o que me atingiu, mas o barulho cadenciado que estão fazendo no outro lado está me entorpecendo e eu não consigo parar de escutá-lo.
Simplesmente não consigo me controlar.
sábado, 19 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Torres Gemeas
O Pó.
A dor.
A explosão.
O ódio.
O sangue.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
O dinheiro.
O poder
A ganância
O progresso.
O status.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
A Intolerância.
A fé.
O fanatismo.
O rancor.
A vingança.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
A Arrogância.
As lágrimas.
O poder
A resistência.
O dinheiro.
O fanatismo.
O Grande
Os pequenos.
A surpresa.
O desespero.
Tudo soterrado.
As torres foram ao chão.
Tantos pularam.
Mas todos caíram.
Só restam as ruínas.
O ódio, dor e vingança.
As torres foram ao chão.
Mas muitos ainda cairão.
A dor.
A explosão.
O ódio.
O sangue.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
O dinheiro.
O poder
A ganância
O progresso.
O status.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
A Intolerância.
A fé.
O fanatismo.
O rancor.
A vingança.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
A Arrogância.
As lágrimas.
O poder
A resistência.
O dinheiro.
O fanatismo.
O Grande
Os pequenos.
A surpresa.
O desespero.
Tudo soterrado.
As torres foram ao chão.
Tantos pularam.
Mas todos caíram.
Só restam as ruínas.
O ódio, dor e vingança.
As torres foram ao chão.
Mas muitos ainda cairão.
A Puta Cega
Existe uma puta cega na esquina
Entre a avenida do peixe
E o beco beija-flor.
Desviando da multidão
Que esbarra nela todo dia.
A puta cega se guia pelo cheiro.
Quanto melhor, menor o preço.
Assim ela goza todo dia.
Enquanto escara nos seus clientes.
Mais caro professor.
Mais barato pro promotor.
De graça pro senador.
E jamais esbarra no mendigo.
A puta cega jamais estará satisfeita.
Sua bolsa não pode encher.
Mas ela trabalha todos os dias.
Batendo o ponto do seu jeito.
Esperando as migalhas
Dos melhores perfumes.
Entre a avenida do peixe
E o beco beija-flor.
Desviando da multidão
Que esbarra nela todo dia.
A puta cega se guia pelo cheiro.
Quanto melhor, menor o preço.
Assim ela goza todo dia.
Enquanto escara nos seus clientes.
Mais caro professor.
Mais barato pro promotor.
De graça pro senador.
E jamais esbarra no mendigo.
A puta cega jamais estará satisfeita.
Sua bolsa não pode encher.
Mas ela trabalha todos os dias.
Batendo o ponto do seu jeito.
Esperando as migalhas
Dos melhores perfumes.
Todo Dia
TODO DIA
Se todo dia volto pros seus braços.
Não é por amor, nem respeito.
É sentindo um ódio imenso
De tuas garras impiedosas.
De tua voz perversa.
De teus olhos inquisidores.
De sua paciência mortal.
Todo dia me abraças
Com força para me esmagar.
Sobrevivo quando chega a noite.
Mas não ouso sonhar
Para que não violes me descanso.
Com tua carência maléfica.
Se todo dia aceito teu abraço
É por que já ao tenho forças
Para tentar fugir de teu hálito
Nem para cerrar meus ouvidos
Ao teu escárnio gutural
Que me sussurras impiedosamente.
Todo dia...
Todo dia...
Se todo dia volto pros seus braços.
Não é por amor, nem respeito.
É sentindo um ódio imenso
De tuas garras impiedosas.
De tua voz perversa.
De teus olhos inquisidores.
De sua paciência mortal.
Todo dia me abraças
Com força para me esmagar.
Sobrevivo quando chega a noite.
Mas não ouso sonhar
Para que não violes me descanso.
Com tua carência maléfica.
Se todo dia aceito teu abraço
É por que já ao tenho forças
Para tentar fugir de teu hálito
Nem para cerrar meus ouvidos
Ao teu escárnio gutural
Que me sussurras impiedosamente.
Todo dia...
Todo dia...
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