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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ao Homem-Alado

O homem-alado perdeu as asas.
Para onde ele vai agora?
Como alcançar o céu, estando mutilado?
Como andar, depois que reinou no ar.

O homem-alado é apenas uma sombra.
O resto de algo que já belo e poderoso.
Não passa de uma lembrança doce e triste.
Que olha para o céu, desconsolado.

O homem-alado foi destruído há tempos.
Mas ninguém notou suas asas quebradas.
Até que ele abriu em uma tarde fria.
Os membros rasgados por lâminas impiedosas.

Então muitos choraram por ele.
Mas suas lágrimas sempre serão mais fortes.
Pois tem a força de uma dor e de um grito
De alguém que já teve o céu como estrada.

domingo, 22 de novembro de 2009

Quando a Porta Fechar

Quando a porta fechar não grite.
O eco te enlouquece.
Não existem palavras mágicas
Para desmanchar a escuridão

Quando a porta se fechar
Talvez não haja janelas.
Mas não morra encolhido no canto do quarto.
Encantado com as lamúrias
Dominado pelo desespero

Derrube as paredes, quebre o teto.
Mesmo que sua mão sangre.
Mesmo que a dor tente destruir teu corpo.
Não se acostume nem lamente.
Sobreviva.