Procuramos Deus no infinito.
E Não encontramos na semente.
Procuramos Deus no sucesso
E não encontramos na vida.
Esperamos sempre um grande milagre.
E não percebemos as pequenas intervenções.
Perguntamos por Deus quando há guerra
E ignoramos nossos dias felizes.
Chamamos por Deus na nossa dor.
E esquecemos dos pequenos prazeres.
Procuramos por Deus para chorar.
E Lhe negamos um pequeno sorriso.
Procuramos por Deus todos os dias.
Mas estamos sempre de olhos fechados.
Onde está Deus?
Onde está Deus?
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
Quando a Porta Fechar
Quando a porta fechar não grite.
O eco te enlouquece.
Não existem palavras mágicas
Para desmanchar a escuridão
Quando a porta se fechar
Talvez não haja janelas.
Mas não morra encolhido no canto do quarto.
Encantado com as lamúrias
Dominado pelo desespero
Derrube as paredes, quebre o teto.
Mesmo que sua mão sangre.
Mesmo que a dor tente destruir teu corpo.
Não se acostume nem lamente.
Sobreviva.
O eco te enlouquece.
Não existem palavras mágicas
Para desmanchar a escuridão
Quando a porta se fechar
Talvez não haja janelas.
Mas não morra encolhido no canto do quarto.
Encantado com as lamúrias
Dominado pelo desespero
Derrube as paredes, quebre o teto.
Mesmo que sua mão sangre.
Mesmo que a dor tente destruir teu corpo.
Não se acostume nem lamente.
Sobreviva.
domingo, 25 de outubro de 2009
Não Estamos Em Guerra
Não estamos em guerra.
Apesar das armas que circulam nas ruas.
Das sangrentas batalhas nas ruas
E dos disparos chegando no céu.
Não estamos em guerra.
Apesar das mães desesperadas.
Dos ferimentos letais
E dos órfãos atônitos
Buscando em vão uma reposta.
Estamos em paz, tudo sob controle.
Apesar de ninguém saber para onde olhar.
A quem pedir socorro.
Quão forte se deve gritar
Quando as balas começam a voar?
Sim, estamos em país.
Somos um país seguro.
Não importa o número de corpos.
E o sangue que banha nossas ruas.
Apesar das armas que circulam nas ruas.
Das sangrentas batalhas nas ruas
E dos disparos chegando no céu.
Não estamos em guerra.
Apesar das mães desesperadas.
Dos ferimentos letais
E dos órfãos atônitos
Buscando em vão uma reposta.
Estamos em paz, tudo sob controle.
Apesar de ninguém saber para onde olhar.
A quem pedir socorro.
Quão forte se deve gritar
Quando as balas começam a voar?
Sim, estamos em país.
Somos um país seguro.
Não importa o número de corpos.
E o sangue que banha nossas ruas.
sábado, 19 de setembro de 2009
Num Quarto Estranho
Foi difícil abrir os olhos hoje. Sinto como se meu corpo todo não me obedecesse mais. A dor é a única coisa que faz com que eu sinta meus membros. É uma dor horrível que eu não sei fazer parar.
Mas a dor não é a única coisa que me incomoda aqui. O fedor me provoca ânsia de vômito. Lama, merda, sangue, urina, são tantos os odores que eu não sei identificar todos. O pior é saber que todos eles estão em mim e eu não sei como vieram parar no meu corpo.
Preciso de um banho urgentemente, não só para me limpar da sujeira, mas para me despertar. Sinto que a febre está se apossando de mim novamente e eu preciso me manter acordado, pelo menos para voltar pra casa.
Não faço a mínima idéia de onde estou. Só sei que é uma casa grande e que eu pareço estar em um escritório. Existe um computador passando uma proteção de tela que mostra milhares de fotos e várias fotografias espalhadas. Meu Deus! Também há um copro dilacerado de um garoto. Nem quero imaginar o que aconteceu com ele.
- Olá! Tem alguém por aqui?
Eu não devia ter gritado. Tive como resposta um gemido assustador de alguém que parece estar no cômodo ao lado. O som horrível foi suficiente para eu me trancar no escritório com o garoto morto. O fedor e imagem horrível do corpo em decomposição e coberto por moscas me parece mais agradável do que me encontrar com quem emitiu aquele gemido.
A porta está quebrada e não consegui trancar a fechadura. Mas consegui empurrar a mesa do computador até a porta. Espero que não tenham ouvido o com do monitor se espatifando no chão: não tive paciência para tirar o equipamento da tomada, mas acho que o garoto morto não fará nenhuma objeção a isso.
Agora é só esperar o som diminuir. Não tenho coragem de descobrir o que significa esses gemidos, ou melhor, não tenho coragem de confirmar minhas suspeitas.
Espero me manter vigilante por tempo suficiente, mas não acredito que vá conseguir. Só espero que não arrombem a porta antes de eu me acordar. Detestaria morrer sem saber o que me atingiu, mas o barulho cadenciado que estão fazendo no outro lado está me entorpecendo e eu não consigo parar de escutá-lo.
Simplesmente não consigo me controlar.
Mas a dor não é a única coisa que me incomoda aqui. O fedor me provoca ânsia de vômito. Lama, merda, sangue, urina, são tantos os odores que eu não sei identificar todos. O pior é saber que todos eles estão em mim e eu não sei como vieram parar no meu corpo.
Preciso de um banho urgentemente, não só para me limpar da sujeira, mas para me despertar. Sinto que a febre está se apossando de mim novamente e eu preciso me manter acordado, pelo menos para voltar pra casa.
Não faço a mínima idéia de onde estou. Só sei que é uma casa grande e que eu pareço estar em um escritório. Existe um computador passando uma proteção de tela que mostra milhares de fotos e várias fotografias espalhadas. Meu Deus! Também há um copro dilacerado de um garoto. Nem quero imaginar o que aconteceu com ele.
- Olá! Tem alguém por aqui?
Eu não devia ter gritado. Tive como resposta um gemido assustador de alguém que parece estar no cômodo ao lado. O som horrível foi suficiente para eu me trancar no escritório com o garoto morto. O fedor e imagem horrível do corpo em decomposição e coberto por moscas me parece mais agradável do que me encontrar com quem emitiu aquele gemido.
A porta está quebrada e não consegui trancar a fechadura. Mas consegui empurrar a mesa do computador até a porta. Espero que não tenham ouvido o com do monitor se espatifando no chão: não tive paciência para tirar o equipamento da tomada, mas acho que o garoto morto não fará nenhuma objeção a isso.
Agora é só esperar o som diminuir. Não tenho coragem de descobrir o que significa esses gemidos, ou melhor, não tenho coragem de confirmar minhas suspeitas.
Espero me manter vigilante por tempo suficiente, mas não acredito que vá conseguir. Só espero que não arrombem a porta antes de eu me acordar. Detestaria morrer sem saber o que me atingiu, mas o barulho cadenciado que estão fazendo no outro lado está me entorpecendo e eu não consigo parar de escutá-lo.
Simplesmente não consigo me controlar.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Torres Gemeas
O Pó.
A dor.
A explosão.
O ódio.
O sangue.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
O dinheiro.
O poder
A ganância
O progresso.
O status.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
A Intolerância.
A fé.
O fanatismo.
O rancor.
A vingança.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
A Arrogância.
As lágrimas.
O poder
A resistência.
O dinheiro.
O fanatismo.
O Grande
Os pequenos.
A surpresa.
O desespero.
Tudo soterrado.
As torres foram ao chão.
Tantos pularam.
Mas todos caíram.
Só restam as ruínas.
O ódio, dor e vingança.
As torres foram ao chão.
Mas muitos ainda cairão.
A dor.
A explosão.
O ódio.
O sangue.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
O dinheiro.
O poder
A ganância
O progresso.
O status.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
A Intolerância.
A fé.
O fanatismo.
O rancor.
A vingança.
As torres foram ao chão.
Tudo soterrado.
A Arrogância.
As lágrimas.
O poder
A resistência.
O dinheiro.
O fanatismo.
O Grande
Os pequenos.
A surpresa.
O desespero.
Tudo soterrado.
As torres foram ao chão.
Tantos pularam.
Mas todos caíram.
Só restam as ruínas.
O ódio, dor e vingança.
As torres foram ao chão.
Mas muitos ainda cairão.
A Puta Cega
Existe uma puta cega na esquina
Entre a avenida do peixe
E o beco beija-flor.
Desviando da multidão
Que esbarra nela todo dia.
A puta cega se guia pelo cheiro.
Quanto melhor, menor o preço.
Assim ela goza todo dia.
Enquanto escara nos seus clientes.
Mais caro professor.
Mais barato pro promotor.
De graça pro senador.
E jamais esbarra no mendigo.
A puta cega jamais estará satisfeita.
Sua bolsa não pode encher.
Mas ela trabalha todos os dias.
Batendo o ponto do seu jeito.
Esperando as migalhas
Dos melhores perfumes.
Entre a avenida do peixe
E o beco beija-flor.
Desviando da multidão
Que esbarra nela todo dia.
A puta cega se guia pelo cheiro.
Quanto melhor, menor o preço.
Assim ela goza todo dia.
Enquanto escara nos seus clientes.
Mais caro professor.
Mais barato pro promotor.
De graça pro senador.
E jamais esbarra no mendigo.
A puta cega jamais estará satisfeita.
Sua bolsa não pode encher.
Mas ela trabalha todos os dias.
Batendo o ponto do seu jeito.
Esperando as migalhas
Dos melhores perfumes.
Todo Dia
TODO DIA
Se todo dia volto pros seus braços.
Não é por amor, nem respeito.
É sentindo um ódio imenso
De tuas garras impiedosas.
De tua voz perversa.
De teus olhos inquisidores.
De sua paciência mortal.
Todo dia me abraças
Com força para me esmagar.
Sobrevivo quando chega a noite.
Mas não ouso sonhar
Para que não violes me descanso.
Com tua carência maléfica.
Se todo dia aceito teu abraço
É por que já ao tenho forças
Para tentar fugir de teu hálito
Nem para cerrar meus ouvidos
Ao teu escárnio gutural
Que me sussurras impiedosamente.
Todo dia...
Todo dia...
Se todo dia volto pros seus braços.
Não é por amor, nem respeito.
É sentindo um ódio imenso
De tuas garras impiedosas.
De tua voz perversa.
De teus olhos inquisidores.
De sua paciência mortal.
Todo dia me abraças
Com força para me esmagar.
Sobrevivo quando chega a noite.
Mas não ouso sonhar
Para que não violes me descanso.
Com tua carência maléfica.
Se todo dia aceito teu abraço
É por que já ao tenho forças
Para tentar fugir de teu hálito
Nem para cerrar meus ouvidos
Ao teu escárnio gutural
Que me sussurras impiedosamente.
Todo dia...
Todo dia...
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Sob a Árvore
I
Estava à espreita há dois dias. Dois dias sem comer e sem dormir, penas parado sob a árvore, esperando.
Queria estar em outro lugar, fazendo outra coisa e finalmente sendo pago. Um mercenário que não recebia era o quadro mais ridículo que exista por toda a terra de Nonfati.
Mas Matinel não tinha outra opção. Era o mercenário lembrado por muitos que não podiam pagar e indicado por outros que precisavam dos seus serviços, mas não tinha muita vontade de se desfazer de algumas moedas de ouro. Não cobrava caro, não era capaz de trair seus patrões e nem de sair cobrando, como faziam todos os seus colegas de profissão.
Assim era o mercenário mais fraco de toda Nonfati , porque mal tinha o que comer; o mais mal vestido e o que tinhas as armas mais imprecisas. Entretanto, sempre cumpria suas tarefas por mais que isso lhe causasse dor de cabeça.
Estava parado há dois dias. Havia consumido os dez por cento do pagamento com alimentos e uma nova espada e passava o seu tempo de ócio esperando imaginando o que faria quando recebesse o resto do pagamento.
II
Quando estava finalmente a ponto de ser vencido pelo sono, ouviu o som de passos perto dos arbustos que cercavam a árvore onde estava escondido. Levantou-se pronto para atacar, com a espada em punho.
Jamais esquecia uma descrição. Daquela vez tinha que matar um homem manco e cego do olho esquerdo, e era exatamente quem se aproximava dali.
O homem não oferecia nenhum perigo físico para Matinel, mas se falasse o que soubesse para o senhor daquelas terras, talvez provocasse uma guerra em que pereceriam muitos inocentes, pelo menos foi isso que seu patrão lhe garantiu.
Sem dizer uma palavra, o mercenário investiu contra o homem, que conseguiu aparar o golpe da espada com um pedaço de madeira que usava como bengala.
- Eu sabia que ele mandaria alguém. O que você quer para me deixar em paz?
- Nada. Tenho que cumprir minha missão.
- Dez moedas de ouro. Falou o homem, olhando o estado deplorável em que se algoz estava.
Aquele valor o dobro do que receberia se matasse o homem. Mas Matinel não era capaz de trair quem lhe contratava. Tinha uma espécie de código moral, por mais irônico que isso fosse em se tratando de um assassino.
Matinel investiu contra sua vítima com força suficiente para quebrar a madeira que ela usava para se defender.
- Por favor.
Antes que eu o homem lhe implorasse de novo, estava com a cabeça decepada e Matinel todo sujo de sangue ainda lhe revistou. Não encontrou nenhum sinal das moedas prometidas.
- Um caloteiro a menos.
Levantou-se rapidamente saiu dali levando a cabeça do pobre coitado.
III
Duas horas depois Matinel estava diante de seu empregador com a cabeça de sua vítima.
- Tudo pronto.
O homem levou um susto quando viu aquele guerreiro magro, com as roupas sujas de sangue e com a cabeça de seu inimigo nas mãos.
- Eu não esperava que fosse tão rápido.
- Fosse pediu que fosse rápido.
Olhando para aquela cabeça com os lábios entreabertos o homem tremeu. Claro que ele estava aliviado por ter se livrado do inimigo, mas tinha gastado o dinheiro do pagamento comprando um cavalo novo e pagando outras dívidas.
Pegou meia moeda no bolso e lamentando-se por ter que se livrar dela entregou a Matinel.
- Eu me enganei. Ele não precisava morrer.
- Agora é tarde.
- Mas você matou um amigo meu. Eu não vou lhe pagar por isso.
Matinel só precisou de uma fração de segundos para colocar a espada no pescoço do caloteiro.
- O trato não foi esse.
O homem já estava prevenido contra Matinel. Sabia que ele não era capaz de trair quem contratava seus serviços, mesmo que não fosse pago.
- Por favor, eu não tenho mais dinheiro. Fui assaltado
- Não é problema meu.
O homem sabia que deveria se manter firme em sua lamúria e assim teria o desconto do mercenário.
- Pelo amor de Deus.
Por um instante Matinel teve vontade de decepar mais uma cabeça. Mas seguiu seus preceitos, aceitou a meia moeda de gratificação e saiu da casa do traidor.
- Não temos mais um contrato, não somo amigos. Cuidado quando me encontrar da próxima vez. Disse o mercenário, jogando a cabeça decapitada nos pés do seu ex-patrão, num gesto teatral que ele torcia em vão para fazer algum efeito.
O homem teve que se controlar para não rir antes que Matinel se afastasse o suficiente. Estava contente por ter se livrado de quem lhe ameaçava por um preço irrisório que nem levou em conta a ameaça do mercenário.
IV
Enquanto andava carregando sua espada suja, Matinel remoia a vontade de voltar e dar cabo do caloteiro. Mas sabia que não faria nada daquilo. Então era melho se acalmar, esconder-se para ninguém desconfiar de suas roupas sujas e procurar um ´para dormir, já que não tinha um lugar para se abrigar.
Talvez voltasse para a árvore onde tinha permanecido por dois dias. Estava acostumado a dormir sob ela.
Estava à espreita há dois dias. Dois dias sem comer e sem dormir, penas parado sob a árvore, esperando.
Queria estar em outro lugar, fazendo outra coisa e finalmente sendo pago. Um mercenário que não recebia era o quadro mais ridículo que exista por toda a terra de Nonfati.
Mas Matinel não tinha outra opção. Era o mercenário lembrado por muitos que não podiam pagar e indicado por outros que precisavam dos seus serviços, mas não tinha muita vontade de se desfazer de algumas moedas de ouro. Não cobrava caro, não era capaz de trair seus patrões e nem de sair cobrando, como faziam todos os seus colegas de profissão.
Assim era o mercenário mais fraco de toda Nonfati , porque mal tinha o que comer; o mais mal vestido e o que tinhas as armas mais imprecisas. Entretanto, sempre cumpria suas tarefas por mais que isso lhe causasse dor de cabeça.
Estava parado há dois dias. Havia consumido os dez por cento do pagamento com alimentos e uma nova espada e passava o seu tempo de ócio esperando imaginando o que faria quando recebesse o resto do pagamento.
II
Quando estava finalmente a ponto de ser vencido pelo sono, ouviu o som de passos perto dos arbustos que cercavam a árvore onde estava escondido. Levantou-se pronto para atacar, com a espada em punho.
Jamais esquecia uma descrição. Daquela vez tinha que matar um homem manco e cego do olho esquerdo, e era exatamente quem se aproximava dali.
O homem não oferecia nenhum perigo físico para Matinel, mas se falasse o que soubesse para o senhor daquelas terras, talvez provocasse uma guerra em que pereceriam muitos inocentes, pelo menos foi isso que seu patrão lhe garantiu.
Sem dizer uma palavra, o mercenário investiu contra o homem, que conseguiu aparar o golpe da espada com um pedaço de madeira que usava como bengala.
- Eu sabia que ele mandaria alguém. O que você quer para me deixar em paz?
- Nada. Tenho que cumprir minha missão.
- Dez moedas de ouro. Falou o homem, olhando o estado deplorável em que se algoz estava.
Aquele valor o dobro do que receberia se matasse o homem. Mas Matinel não era capaz de trair quem lhe contratava. Tinha uma espécie de código moral, por mais irônico que isso fosse em se tratando de um assassino.
Matinel investiu contra sua vítima com força suficiente para quebrar a madeira que ela usava para se defender.
- Por favor.
Antes que eu o homem lhe implorasse de novo, estava com a cabeça decepada e Matinel todo sujo de sangue ainda lhe revistou. Não encontrou nenhum sinal das moedas prometidas.
- Um caloteiro a menos.
Levantou-se rapidamente saiu dali levando a cabeça do pobre coitado.
III
Duas horas depois Matinel estava diante de seu empregador com a cabeça de sua vítima.
- Tudo pronto.
O homem levou um susto quando viu aquele guerreiro magro, com as roupas sujas de sangue e com a cabeça de seu inimigo nas mãos.
- Eu não esperava que fosse tão rápido.
- Fosse pediu que fosse rápido.
Olhando para aquela cabeça com os lábios entreabertos o homem tremeu. Claro que ele estava aliviado por ter se livrado do inimigo, mas tinha gastado o dinheiro do pagamento comprando um cavalo novo e pagando outras dívidas.
Pegou meia moeda no bolso e lamentando-se por ter que se livrar dela entregou a Matinel.
- Eu me enganei. Ele não precisava morrer.
- Agora é tarde.
- Mas você matou um amigo meu. Eu não vou lhe pagar por isso.
Matinel só precisou de uma fração de segundos para colocar a espada no pescoço do caloteiro.
- O trato não foi esse.
O homem já estava prevenido contra Matinel. Sabia que ele não era capaz de trair quem contratava seus serviços, mesmo que não fosse pago.
- Por favor, eu não tenho mais dinheiro. Fui assaltado
- Não é problema meu.
O homem sabia que deveria se manter firme em sua lamúria e assim teria o desconto do mercenário.
- Pelo amor de Deus.
Por um instante Matinel teve vontade de decepar mais uma cabeça. Mas seguiu seus preceitos, aceitou a meia moeda de gratificação e saiu da casa do traidor.
- Não temos mais um contrato, não somo amigos. Cuidado quando me encontrar da próxima vez. Disse o mercenário, jogando a cabeça decapitada nos pés do seu ex-patrão, num gesto teatral que ele torcia em vão para fazer algum efeito.
O homem teve que se controlar para não rir antes que Matinel se afastasse o suficiente. Estava contente por ter se livrado de quem lhe ameaçava por um preço irrisório que nem levou em conta a ameaça do mercenário.
IV
Enquanto andava carregando sua espada suja, Matinel remoia a vontade de voltar e dar cabo do caloteiro. Mas sabia que não faria nada daquilo. Então era melho se acalmar, esconder-se para ninguém desconfiar de suas roupas sujas e procurar um ´para dormir, já que não tinha um lugar para se abrigar.
Talvez voltasse para a árvore onde tinha permanecido por dois dias. Estava acostumado a dormir sob ela.
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Matinel
Um mercenário que não é bem sucedido. Essa é a melhor apresnetação para esse novo personagem. As aventuras dele começarão no próximo post
Apresentação.
Esse é meu novo blog. Atualiza-lo regularmente a partir de agora. Neste blog, vou publicar coisas novas.
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