O ruído forte de aviões voando mais baixo que o normal deixou todo mundo assustado. Estavam acostumados com bombardeiros, aviões de reconhecimento e outros veículos aéreos mais ou menos ameaçadores, mas a altitude era uma novidade. Todos temeram que as bombas começassem a desabar naquele momento, como uma chuva maldita.
A menina que brincava com as nuvens percebeu o quanto o céu pode se tornar ameaçador de uma hora para outra, como aquela benção de Deus pode virar repentinamente uma maldição dos homens.
Ela não conhecia os aviões, mas sua mãe a ensinou que deveria fugir deles assim que ouvisse seus motores. Ela falou que eram dragões demoníacos que cuspiam fogo em quem encontrava pelo caminho.
A imagem fantasiosa possuía a didática suficiente para que a menina corresse cada vez que os ouvisse. Nunca os vira cuspindo fogo, mas imaginava como fosse e embora sua visão fosse menos terrível que a realidade, era o suficiente para teme-los e correr deles.
Mas daquela vez os aviões voaram mais baixos e a menina entrou em pânico.
Temeu que os monstros alados de sua imaginação lhe seqüestrassem como em seus sonhos e a levassem para bem longe de sua família. Sabia que aquele era o momento de fugir mas suas pernas fraquejaram e ela acabou caindo no chão, incapaz de se mexer.
- O Dragão vai me comer. Era tudo o que conseguia gritar, como se alguém pudesse parar para ajuda-la naquele momento.
De repente o dia que começara como um sonho estava se transformando no maior pesadelo que aquela menina já teve e o pior era que não podia acordar e esquecer tudo.
Durante cinco minutos chorou e gritou, impotente no chão, com os olhos fechados como se o fato de não ver os aviões pudesse afasta-los
Felizmente o ataque não começou daquela vez. Era apenas um aviso do inimigo, para que ninguém fosse pego de surpresa. Como se estivessem marcando a hora para matar a todos, já que ninguém ali poderia fazer nada para se defender se fosse atacado.
A menina continuou sentada no chão até quando os aviões foram embora.
Conseguiu levantar-se sozinha e embora ainda soluçasse muito e nem enxergasse direito por causa das lágrimas, conseguiu dirigir-se pra casa.
Ela sabia que tinha que chegar o quanto antes, senão seria devorada pelos dragões.
E eles estavam prontos para voltar ainda naquele dia.
domingo, 11 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Ao Homem-Alado
O homem-alado perdeu as asas.
Para onde ele vai agora?
Como alcançar o céu, estando mutilado?
Como andar, depois que reinou no ar.
O homem-alado é apenas uma sombra.
O resto de algo que já belo e poderoso.
Não passa de uma lembrança doce e triste.
Que olha para o céu, desconsolado.
O homem-alado foi destruído há tempos.
Mas ninguém notou suas asas quebradas.
Até que ele abriu em uma tarde fria.
Os membros rasgados por lâminas impiedosas.
Então muitos choraram por ele.
Mas suas lágrimas sempre serão mais fortes.
Pois tem a força de uma dor e de um grito
De alguém que já teve o céu como estrada.
Para onde ele vai agora?
Como alcançar o céu, estando mutilado?
Como andar, depois que reinou no ar.
O homem-alado é apenas uma sombra.
O resto de algo que já belo e poderoso.
Não passa de uma lembrança doce e triste.
Que olha para o céu, desconsolado.
O homem-alado foi destruído há tempos.
Mas ninguém notou suas asas quebradas.
Até que ele abriu em uma tarde fria.
Os membros rasgados por lâminas impiedosas.
Então muitos choraram por ele.
Mas suas lágrimas sempre serão mais fortes.
Pois tem a força de uma dor e de um grito
De alguém que já teve o céu como estrada.
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A Mulher da Lagoa
Acordou-se cedo para olhar a lagoa. Não era nem cinco da manhã quando ele já estava enfrentando o frio da alvorada e observando aquelas águas que acompanharam sua vida por tanto tempo, aquelas águas que sonhava que o levariam para longe do pequeno povoado onde morava.
Sílvio estava com vinte e nove anos e desde o quinze sonhava com o dia de partir dali. Amava a natureza, amava aquela lagoa em que tinha brincando durante toda a sua infância e sobretudo os peixes que tinham sustentado sua família por tanto tempo. Mas não queria seguir a profissão de seu pai. Jamais quis. Seu sonho era sair de casa, de seu povoado e ganhar o mundo.
Mas desde os quinze anos que possuía sua canoa, desde os quinze anos que seguia os passos do pai sem querer e sem coragem de contar a ele. Sempre esperando o dia em que não estaria mais ali.
Durante catorze anos ele esperou pela sua grande chance. Vivendo uma vida de espera e frustrações. Dizia que ficaria ali até quando estivesse tudo pronto para sua partida, mas sempre protelava esse dia, sempre tinha um motivo pra ficar. Engolia sempre o seu sonho, olhava a lagoa, se resignava e seguia em frente, odiando sua vida e vendo as águas correrem. Nunca tivera coragem de seguir realmente seu sonho, por que seu medo era maior que sua obstinação. Sempre tivera medo de decepcionar a família e preferia ver a lagoa e viver cada dia mais frustrado e decepcionado consigo mesmo.
Já estava começando a acreditar que tudo seria assim para sempre quando as coisas começaram a mudar.
Era uma terça-feira quando ele viu uma mulher nadando nua na lagoa. Já estava acostumado com certos espetáculos naquelas águas. Não era raro flagrar os turistas usando drogas e transando nas margens da lagoa, como se a natureza quase ainda selvagem os convidasse a transgredirem a lei. Mas jamais vira uma mulher nadar nua e sozinha naquelas águas. Aquele lugar não era tão pacato a ponto dela não correr nenhum perigo com aquele ato.
Teve vontade de chamá-la, mas resolveu não fazer nada. Apenas admirou o espetáculo. E era mesmo um grande espetáculo. A ruiva de corpo escultural era capaz de fazer com que todos os pescadores do lugar ficassem estáticos como ele, durante horas.
Mas foi ela quem o chamou.
- Vem. A água está uma delícia.
Como resistir aquele convite? Ele tirou sua bermuda e entrou imediatamente na água.
Como se o conhecesse a mulher o abraçou e beijou todo o seu corpo, livrando-lhe de seu calção de praia. Sílvio, surpreso e totalmente envolvido com a situação, deixou que ela fizesse o que queria e logo os dois estavam fazendo na água o que ele tanto observara os turistas fazendo.
O encontro casual logo se transformou em um estranho namoro.
Sílvio jamais soube o nome dela e ninguém nunca a viu. Mas isso não incomodava muito. Passara a vida toda isolado demais para se importar com o mistério de sua namorada.
Envolveu-se com ela como jamais pensaria que se envolveria com alguém. Todo o medo que tinha de se entregar desapareceu nos braços daquela mulher. Todas as dúvidas e hesitações que tivera tornavam-se inúteis perto dela.
E ele estava cada vez mais apaixonado.
Por isso estava ali no amanhecer, rezando para que ninguém o encontrasse, embora soubesse que naquele horário seria muito difícil isso acontecer.
No dia anterior ela o tinha convidado a fugir. Partiriam definitivamente dali para um lugar muito maior e ele teria uma vida maior que jamais teve. Daquela vez ele não tinha motivos para adiar sua partida. Não tinha mais motivos para ficar.
Agora ele estava à beira da lagoa esperando pela sua misteriosa namorada. Como ela havia prevenido estaria ali às cinco e ponto e ele não precisava levar consigo nada além de sua canoa.
Ele olhava para a lagoa com lágrimas nos olhos. Finalmente, depois de catorze anos ele estava partindo. Nada aconteceu como ele sonhava. Seus planos se foram com as águas da lagoa, mas as águas lhe trouxeram um plano novo.
Estava nervoso e morrendo de frio quando a mulher apareceu ao seu lado. Era a primeira vez que ele a via pisando em terra firme. Como nas outras vezes ela estava completamente nua e olhava para ele fixamente, como um olhar que ele não sabia exatamente o que significava.
- Está pronto?
- Estou.
Sem falar mais nada ela entrou na canoa e esperou que ele fizesse o mesmo.
Sílvio tirou suas roupas e entrou na canoa também. Não podia vacilar daquela vez.
E assim seguiram viagem. Ela sentada olhando para o sol ele remando monotonamente, em direção ao ponto onde a lagoa encontra o mar. Não sabia exatamente para onde estava indo, mas confiava naquela mulher bela e misteriosa que viajava ao seu lado.
Sílvio nunca mais foi visto por ninguém daquele povoado. Seu pai encontrou horas depois suas roupas abandonadas na margem da lagoa e alguns pescadores juraram que o tinha visto afastando-se dos arrecifes que embelezaram a pela costa marítima daquele lugar. Mas ninguém pode provar nada.
Silvio ganhou o mar e talvez tenha realizado seu sonho de uma maneira inesperada. O fato é que não estava sozinho e finalmente estava longe da lagoa e de sua vida de frustrações.
Sílvio estava com vinte e nove anos e desde o quinze sonhava com o dia de partir dali. Amava a natureza, amava aquela lagoa em que tinha brincando durante toda a sua infância e sobretudo os peixes que tinham sustentado sua família por tanto tempo. Mas não queria seguir a profissão de seu pai. Jamais quis. Seu sonho era sair de casa, de seu povoado e ganhar o mundo.
Mas desde os quinze anos que possuía sua canoa, desde os quinze anos que seguia os passos do pai sem querer e sem coragem de contar a ele. Sempre esperando o dia em que não estaria mais ali.
Durante catorze anos ele esperou pela sua grande chance. Vivendo uma vida de espera e frustrações. Dizia que ficaria ali até quando estivesse tudo pronto para sua partida, mas sempre protelava esse dia, sempre tinha um motivo pra ficar. Engolia sempre o seu sonho, olhava a lagoa, se resignava e seguia em frente, odiando sua vida e vendo as águas correrem. Nunca tivera coragem de seguir realmente seu sonho, por que seu medo era maior que sua obstinação. Sempre tivera medo de decepcionar a família e preferia ver a lagoa e viver cada dia mais frustrado e decepcionado consigo mesmo.
Já estava começando a acreditar que tudo seria assim para sempre quando as coisas começaram a mudar.
Era uma terça-feira quando ele viu uma mulher nadando nua na lagoa. Já estava acostumado com certos espetáculos naquelas águas. Não era raro flagrar os turistas usando drogas e transando nas margens da lagoa, como se a natureza quase ainda selvagem os convidasse a transgredirem a lei. Mas jamais vira uma mulher nadar nua e sozinha naquelas águas. Aquele lugar não era tão pacato a ponto dela não correr nenhum perigo com aquele ato.
Teve vontade de chamá-la, mas resolveu não fazer nada. Apenas admirou o espetáculo. E era mesmo um grande espetáculo. A ruiva de corpo escultural era capaz de fazer com que todos os pescadores do lugar ficassem estáticos como ele, durante horas.
Mas foi ela quem o chamou.
- Vem. A água está uma delícia.
Como resistir aquele convite? Ele tirou sua bermuda e entrou imediatamente na água.
Como se o conhecesse a mulher o abraçou e beijou todo o seu corpo, livrando-lhe de seu calção de praia. Sílvio, surpreso e totalmente envolvido com a situação, deixou que ela fizesse o que queria e logo os dois estavam fazendo na água o que ele tanto observara os turistas fazendo.
O encontro casual logo se transformou em um estranho namoro.
Sílvio jamais soube o nome dela e ninguém nunca a viu. Mas isso não incomodava muito. Passara a vida toda isolado demais para se importar com o mistério de sua namorada.
Envolveu-se com ela como jamais pensaria que se envolveria com alguém. Todo o medo que tinha de se entregar desapareceu nos braços daquela mulher. Todas as dúvidas e hesitações que tivera tornavam-se inúteis perto dela.
E ele estava cada vez mais apaixonado.
Por isso estava ali no amanhecer, rezando para que ninguém o encontrasse, embora soubesse que naquele horário seria muito difícil isso acontecer.
No dia anterior ela o tinha convidado a fugir. Partiriam definitivamente dali para um lugar muito maior e ele teria uma vida maior que jamais teve. Daquela vez ele não tinha motivos para adiar sua partida. Não tinha mais motivos para ficar.
Agora ele estava à beira da lagoa esperando pela sua misteriosa namorada. Como ela havia prevenido estaria ali às cinco e ponto e ele não precisava levar consigo nada além de sua canoa.
Ele olhava para a lagoa com lágrimas nos olhos. Finalmente, depois de catorze anos ele estava partindo. Nada aconteceu como ele sonhava. Seus planos se foram com as águas da lagoa, mas as águas lhe trouxeram um plano novo.
Estava nervoso e morrendo de frio quando a mulher apareceu ao seu lado. Era a primeira vez que ele a via pisando em terra firme. Como nas outras vezes ela estava completamente nua e olhava para ele fixamente, como um olhar que ele não sabia exatamente o que significava.
- Está pronto?
- Estou.
Sem falar mais nada ela entrou na canoa e esperou que ele fizesse o mesmo.
Sílvio tirou suas roupas e entrou na canoa também. Não podia vacilar daquela vez.
E assim seguiram viagem. Ela sentada olhando para o sol ele remando monotonamente, em direção ao ponto onde a lagoa encontra o mar. Não sabia exatamente para onde estava indo, mas confiava naquela mulher bela e misteriosa que viajava ao seu lado.
Sílvio nunca mais foi visto por ninguém daquele povoado. Seu pai encontrou horas depois suas roupas abandonadas na margem da lagoa e alguns pescadores juraram que o tinha visto afastando-se dos arrecifes que embelezaram a pela costa marítima daquele lugar. Mas ninguém pode provar nada.
Silvio ganhou o mar e talvez tenha realizado seu sonho de uma maneira inesperada. O fato é que não estava sozinho e finalmente estava longe da lagoa e de sua vida de frustrações.
João das Pedras
Quando lhe João trabalhava todos os dias quebrando pedras. Um trabalhando maçante, mas que ele fazia com todas as suas forças dia após dia, sem se importar com o tempo nem com mais nada, era um operário incansável.
O som da picareta era música para seus ouvidos, o brilho do metal já gasto era a mais bela imagem que ele conhecia,.
De tanto se dedicar ao seu trabalho ganhou o apelido de João das Pedras, mas ele não atendia por esse nome quando estava trabalhando, aliás não atendia por nome nenhum quando estava concentrado em quebrar suas pedras.
Só vivia para seu trabalho. Não tinha tempo para si, nem para a família, nem para amigos. perguntaram um dia porque ele trabalhava ali, porque não procurava algo melhor, porque se matava quebrando pedras, ele nem ouviu a pergunta, apenas o som de sua picareta interessava.
E assim prosseguia na sua rotina. João das Pedras em sua rotina incansável, nem reparava no mundo em sua volta, simplesmente quebrava pedras. Se um filho estava doente, ele quebrava pedras;. se tinha uma festa, quebrava pedras; se morria alguém, quebrava pedras. Se o mundo explodisse, ele estaria quebrando pedras.
Quebrava pedras e tinha sempre mais e mais para quebrar, sabia (e torcia por isso) que jamais acabaria.
Um dia ele voltou pra casa e a encontrou vazia. Estranhou, mas estava cansado demais para perguntar alguma coisa. Dormiu.
Quando amanheceu ele lembrou de chamar pela esposa e pelos dois filhos:
- Maria, Pedro, Pedrita... Ninguém respondeu. Ele iria chamar de novo, mas estava atrasado para seu trabalho.
Quando voltou para casa a história se repetiu, e no dia seguinte também, mas em sua mente ele só via suas pedras. Somente uma semana depois, foi que ele percebeu que estava sozinho, mas tinha que continuar seu trabalho apesar de tudo.
E o mundo continuou enquanto ele quebrava pedras e só tinha como recompensa o cansaço e uns poucos trocados no final do mês, que ele nem se importava em gastar ou não. Comparava alguma coisa para comer e juntava para realizar seu grande sonho: comprar uma nova picareta.
E assim o tempo passou. João simplesmente quebrava cada vez mais pedras.
Um dia ele ficou doente e o diagnóstico foi pedra nos rins, mas ele estava quebrado demais para se tratar e a solução foi quebrar as pedras com ainda mais força.
Um dia ele sofreu um acidente: uma grande pedra caiu em sua cabeça e João passou muitos dias em casa, sozinho, deitado em sua cama de pedra e comendo um pão duro como as pedras que ele quebrava.
Então ele morreu.
Enterraram-no num túmulo na mesma pedreira onde ele passara a vida trabalhando. Em sua lápide escreveram: “Aqui Jaz um homem que tinha um coração de pedra”.
O som da picareta era música para seus ouvidos, o brilho do metal já gasto era a mais bela imagem que ele conhecia,.
De tanto se dedicar ao seu trabalho ganhou o apelido de João das Pedras, mas ele não atendia por esse nome quando estava trabalhando, aliás não atendia por nome nenhum quando estava concentrado em quebrar suas pedras.
Só vivia para seu trabalho. Não tinha tempo para si, nem para a família, nem para amigos. perguntaram um dia porque ele trabalhava ali, porque não procurava algo melhor, porque se matava quebrando pedras, ele nem ouviu a pergunta, apenas o som de sua picareta interessava.
E assim prosseguia na sua rotina. João das Pedras em sua rotina incansável, nem reparava no mundo em sua volta, simplesmente quebrava pedras. Se um filho estava doente, ele quebrava pedras;. se tinha uma festa, quebrava pedras; se morria alguém, quebrava pedras. Se o mundo explodisse, ele estaria quebrando pedras.
Quebrava pedras e tinha sempre mais e mais para quebrar, sabia (e torcia por isso) que jamais acabaria.
Um dia ele voltou pra casa e a encontrou vazia. Estranhou, mas estava cansado demais para perguntar alguma coisa. Dormiu.
Quando amanheceu ele lembrou de chamar pela esposa e pelos dois filhos:
- Maria, Pedro, Pedrita... Ninguém respondeu. Ele iria chamar de novo, mas estava atrasado para seu trabalho.
Quando voltou para casa a história se repetiu, e no dia seguinte também, mas em sua mente ele só via suas pedras. Somente uma semana depois, foi que ele percebeu que estava sozinho, mas tinha que continuar seu trabalho apesar de tudo.
E o mundo continuou enquanto ele quebrava pedras e só tinha como recompensa o cansaço e uns poucos trocados no final do mês, que ele nem se importava em gastar ou não. Comparava alguma coisa para comer e juntava para realizar seu grande sonho: comprar uma nova picareta.
E assim o tempo passou. João simplesmente quebrava cada vez mais pedras.
Um dia ele ficou doente e o diagnóstico foi pedra nos rins, mas ele estava quebrado demais para se tratar e a solução foi quebrar as pedras com ainda mais força.
Um dia ele sofreu um acidente: uma grande pedra caiu em sua cabeça e João passou muitos dias em casa, sozinho, deitado em sua cama de pedra e comendo um pão duro como as pedras que ele quebrava.
Então ele morreu.
Enterraram-no num túmulo na mesma pedreira onde ele passara a vida trabalhando. Em sua lápide escreveram: “Aqui Jaz um homem que tinha um coração de pedra”.
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