O ruído forte de aviões voando mais baixo que o normal deixou todo mundo assustado. Estavam acostumados com bombardeiros, aviões de reconhecimento e outros veículos aéreos mais ou menos ameaçadores, mas a altitude era uma novidade. Todos temeram que as bombas começassem a desabar naquele momento, como uma chuva maldita.
A menina que brincava com as nuvens percebeu o quanto o céu pode se tornar ameaçador de uma hora para outra, como aquela benção de Deus pode virar repentinamente uma maldição dos homens.
Ela não conhecia os aviões, mas sua mãe a ensinou que deveria fugir deles assim que ouvisse seus motores. Ela falou que eram dragões demoníacos que cuspiam fogo em quem encontrava pelo caminho.
A imagem fantasiosa possuía a didática suficiente para que a menina corresse cada vez que os ouvisse. Nunca os vira cuspindo fogo, mas imaginava como fosse e embora sua visão fosse menos terrível que a realidade, era o suficiente para teme-los e correr deles.
Mas daquela vez os aviões voaram mais baixos e a menina entrou em pânico.
Temeu que os monstros alados de sua imaginação lhe seqüestrassem como em seus sonhos e a levassem para bem longe de sua família. Sabia que aquele era o momento de fugir mas suas pernas fraquejaram e ela acabou caindo no chão, incapaz de se mexer.
- O Dragão vai me comer. Era tudo o que conseguia gritar, como se alguém pudesse parar para ajuda-la naquele momento.
De repente o dia que começara como um sonho estava se transformando no maior pesadelo que aquela menina já teve e o pior era que não podia acordar e esquecer tudo.
Durante cinco minutos chorou e gritou, impotente no chão, com os olhos fechados como se o fato de não ver os aviões pudesse afasta-los
Felizmente o ataque não começou daquela vez. Era apenas um aviso do inimigo, para que ninguém fosse pego de surpresa. Como se estivessem marcando a hora para matar a todos, já que ninguém ali poderia fazer nada para se defender se fosse atacado.
A menina continuou sentada no chão até quando os aviões foram embora.
Conseguiu levantar-se sozinha e embora ainda soluçasse muito e nem enxergasse direito por causa das lágrimas, conseguiu dirigir-se pra casa.
Ela sabia que tinha que chegar o quanto antes, senão seria devorada pelos dragões.
E eles estavam prontos para voltar ainda naquele dia.
Cara, muito bom o seu conto!
ResponderExcluirA friesa e crueldade vista por olhos inocentes